Cirurgia oncológica

O Dr. Luciano Niemeyer Gomes trabalha, também, com cirurgia oncológica. Este é um dos tripés para o tratamento do câncer, ao lado da quimioterapia ou da radioterapia.

Essa especialidade médica é muito antiga. As principais referências datam de 1.600 a.C., estando isso documentado nos papiros de Edwin Smith. No entanto, uma verdadeira escola de cirurgia oncológica teve início no fim do século XIX, com William Stuart Halsted, que idealizou uma cirurgia radical para o câncer de mama. Nessa cirurgia, removia-se toda a mama, os músculos peitorais e os gânglios linfáticos das axilas, trazendo transtornos estéticos, funcionais e psíquicos muito relevantes.

Este princípio ainda hoje se aplica a uma grande quantidade de outros tumores, tendo como base a remoção do tumor primário e dos linfáticos loco-regionais. No entanto, felizmente, progressos havidos na quimioterapia e na radioterapia têm proporcionado resultados cada vez melhores e com cirurgias mais conservadoras.

A cirurgia oncológica é usada hoje no diagnóstico, estadiamento e tratamento de quase todos os tumores sólidos. Atualmente, o enfoque multidisciplinar de tratamento – que envolve a associação de diversas modalidades terapêuticas – gera melhores resultados, em termos de cura, sobrevida e, principalmente, de qualidade de vida.

Existe uma quantidade grande de trabalhos científicos mostrando que pacientes tratados em centros de referência ou de competência multidisciplinar têm resultados superiores àqueles tratados em centros isolados.

O grande diferencial de tratar o câncer com um cirurgião oncologista é que, pela sua formação, ele tem o conhecimento detalhado da história natural dos tumores, da importância do estadiamento do tumor, de se estabelecer o planejamento terapêutico e da atuação multidisciplinar de todas as equipes envolvidas no tratamento personalizado do paciente, em cada uma das etapas, para o sucesso do tratamento.

Para ser cirurgião oncologista no Brasil, são necessários cinco anos de residência médica após a graduação, sendo dois de cirurgia geral e mais três de cirurgia oncológica.

Por causa do aumento da longevidade, a incidência de câncer está aumentando a cada ano. O número de novos casos previstos para 2012, de acordo com o Ministério da Saúde, é em torno de 520 mil, excluindo os casos de pele não melanoma. Desse modo, está havendo um grande investimento dos hospitais na área do câncer e, para atender às necessidades de uma doença de incidência crescente, é necessária a formação de recursos humanos na área, sendo o cirurgião oncologista fundamental neste cenário.

A Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica tem hoje um grande número de associados, e alguns brasileiros fazem parte dela. A procura pelos programas de residência médica por ela credenciados é crescente, e os egressos desses programas não têm dificuldade de se encaixarem no mercado de trabalho, além de serem frequentemente requisitados para hospitais universitários. Vale a pena lembrar que boa parte dos hospitais universitários americanos tem uma disciplina de cirurgia oncológica.

O título de especialista na área de cirurgia oncológica é dado pela Sociedade Brasileira de Cancerologia por concurso público e pela Comissão Nacional de Residência Médica, após a conclusão do programa em instituição credenciada.

Existe hoje uma grande quantidade de centros de alta complexidade em oncologia denominados CACONS. Nestes centros é obrigatória a presença de cirurgiões oncologistas. Uma vez cumprindo essa determinação do Ministério da Saúde, amplia-se ainda mais o campo de atuação do cirurgião oncologista.

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